Testemunhos


A propósito de “O grande risco da missa”…

Testemunho do padre António Assunção:

Nestes tempos de pandemia fui trazendo à memória vários provérbios cheios de sabedoria que aprendi em criança, entre eles este: “Alma sã em corpo são.”

Na verdade, também aprendi na escola que, na soma, a ordem dos factores é arbitrária, pois se a soma for bem feita, o resultado é sempre o mesmo e certo…

Mas a ordem deste provérbio é interessante…

Por isso, na reabertura das igrejas nestas comunidades, feitas com cuidado as coisas exteriores indicadas para cuidar do corpo… pensámos colocar este cartaz na entrada das igrejas, logo depois de feita com a colaboração da equipa de acolhimento (o antigo ministério de  Ostiário)  a higienização das mãos… Assim, se recorda o essencial das “mãos limpas e o coração puro para entrar no santuário” e se prepara para viver o amor de “uns aos outros” e merecer a presença de Jesus “Ele está no meio de nós” para se alcançar o essencial da celebração da missa – o encontro com Jesus na Palavra e no Pão Eucarístico.

Pretende-se assim que as circunstâncias exteriores que nos fazem sentir frágeis e limitados (“com a máscara” mas não mascarados) não dificultem mas facilitem esse encontro com Ele que “está à nossa espera” e nos quer encher do Seu perfume… o alimento da Palavra e da Eucaristia.

Depois, renovados com e nesse encontro, também nós com o Seu perfume (“Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”) somos enviados para a vida “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe” com o perfume que acolhemos e vai em nós e que os outros que de nós aproximam e de quem nós nos aproximamos poderão tirar benefício para as suas vidas.

Na verdade “O grande risco da missa” é nem sequer ir por… por… ou então ir apenas para “assistir” à missa…e  pensar em cumprir o preceito… e depois sair e exclamar “já está”… sem ter tomado consciência do essencial que era “participar” na missa alimentando-se da Palavra e do Pão Eucarístico  e  unindo a própria vida à vida de Jesus oferecida por amor com a morte e ressurreição… e depois “continuar” a missa, partindo para a missão com o amor concreto aos irmãos, concretizando a Palavra de Jesus “O que fizeres  ao mais pequenino dos meus irmãos é a Mim que o fazeis.”

Feliz dia de “Corpo de Deus”!

One Comment

  1. Ines MirandaSantos

    De facto, são vários os hábitos sanitários que se tornaram preceito religioso até quase se lhes perder o rasto. Quem sabe não andaríamos a tomar a higiéne, a asepcia, a saúde e os cuidados médicos como garantidos… Mas ao fim e ao cabo, a criação é tudo, até os microorganismos…

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