Testemunhos


Caminhando com Jesus

Testemunho da Ana Marta Antunes

Aqui em casa, gostamos de desafios! Assim escreveu o meu marido João:

Este desafio nos foi lançado

Para a nossa imaginação trabalhar

Pusemos lápis e marcadores a rolar

Para ver o que mais realçar

Aqui está o resultado

Por nós alcançado:

Outros desafios são mais difíceis de viver…

Na semana que passou debrucei-me um pouco mais a pensar na minha forma de estar ao longo do meu dia. Apercebo-me com grande tristeza e desilusão que reajo e sinto mais espontaneamente às minhas lamentações do que à enorme quantidade de razões que tenho para agradecer. São tantas, mas tantas as coisas da minha vida que são maravilhosas e em relação às quais sou grata e tenho bem noção disso, mas o que pontua os meus dias regularmente é um esforço em lembrar-me dessas bênçãos e em tentar reagir rezando e agradecendo a Deus para que Ele me ajude e ilumine a passar o meu dia sem me lamentar ou me desmotivar. E isso não devia ser um esforço. Então, com genuína incredulidade, me pergunto: Porque é que isto me acontece?

Com esta questão na cabeça, pensei em partilhá-la, mas rapidamente me arrependi pensando que não tenho intenção de expor aqui uma espécie de diário das minhas crises de identidade J. Mas hoje, 3º Domingo de Páscoa, dia de meditar sobre os discípulos de Emaús, sobre a sua caminhada de cabeça baixa e de coração fechado, sobre a sua descoberta, me apercebi de que a resposta à minha pergunta não só é simples, como também responderá provavelmente a muitos estados de espírito deste e de outros momentos que muitos nós temos com mais ou menos frequência. O que se passa é que os olhos do meu coração estão realmente muitas vezes fechados. Eu faço um esforço para os abrir mas não alimento esse esforço com verdadeira fé que me impele a caminhar com confiança, sabendo que o meu caminho é de esperança pois nele está Jesus, sempre a meu lado.

Como os discípulos de Emaús, também eu estou muito centrada na minha tristeza e ansiedade, nos meus medos e angústias, para ver o que está ao meu lado, para ver que Jesus ressuscitou para mim e me oferece a esperança de uma vida não tão focada nas minhas expetativas mas naquelas que Ele me dá. Venho eu também constantemente a querer fugir do que tanto de me dói ou me custa ultrapassar, sabendo bem que de nada adiantará pois no fim estarei exatamente na mesma ou pior. Basta-me, isso sim, ficar, enfrentar e deixar que o Senhor me abra os olhos. E assim, agirei e sentirei espontaneamente de acordo com as graças com que sou inundada.

Como dizia o senhor Padre hoje na celebração da missa online, nós somos peregrinos nesta vida mas, como cristãos, não somos errantes, não vamos sem destino. O nosso destino é um só e bem objetivo, é seguir o caminho que Deus tem para nós, confiando e não nos deixando assoberbar pelas preocupações mundanas e terrenas.

Não leveis nada para o caminho: nem bastão, nem sacola, nem pão, nem dinheiro, nem duas túnicas. (Lc 9, 3)

Se em tantos casos temos verdadeiros problemas, verdadeiras dores e provações que somos capazes de enfrentar pois buscamos forças na nossa fé e na certeza de que não estamos sós nem desamparados, como não conseguir fazer o mesmo quando reconhecemos que as contrariedades diárias não são assim tão grandes?

Então, se em tantos pequenos momentos do dia sinto que o coração me arde quando escuto por breves instantes o que Jesus me diz, tenho de acreditar que serei capaz de o sentir mais naturalmente ao longo dos dias e das noites em branco se for preciso. Acredito que, como estes discípulos, mesmo que esteja desnorteada e desmotivada, o Senhor me vai impelir a dizer:

Fica connosco, pois já é tarde e a noite já se aproxima! (Lc 24, 29)

Como ponho isto em prática? Em primeiro lugar confio na oração daqueles que, por vezes mesmo inconscientemente, rezam por mim. Depois, comprometo-me comigo mesma a estar em paz, aconteça o que acontecer, ouça o que ouvir, veja o que vir, tenha de fazer o que quer que seja – outra forma de dizer “Nós, Jesus!”.

 

“Ele não me protege de doenças,

não me dá melhor emprego,

não me endireita magicamente a família e os amigos.

Mas sei que, nos bons e nos maus momentos,

Ele está comigo.”

Também há outra coisa que me ajuda muito e sei que não acontece só comigo. Os cânticos. Posso cantá-los, posso só ouvi-los quando tenho oportunidade ou quando me apetece, ou posso só deixar as suas palavras ecoarem dentro da minha cabeça de vez em quando em forma de “lembrete de telemóvel” ;). Confesso que não consigo estar a par de tudo o que é ensinamento aqui neste site tão rico e tão vasto, mas de vez em quando lá consigo estar alguns minutos debruçada a ler, a aprender, a receber destas Famílias de Caná verdadeiramente inspiradas. O presente que recebemos da Família Power, o cântico “Emaús” (que podemos ouvir em “Da Nascente – Cânticos”), vem mesmo a calhar. Vamos aproveitar, beber deste cântico e assim vermos que é Jesus que está mesmo aqui…

“…À nossa porta, ó Jesus, não irás passar em vão!…

…Aleluia! Brilhe entre nós a Tua luz!

Aleluia! Fica entre nós, Senhor Jesus!”

 

2 Comments

  1. Obrigada por este testemunho!

  2. Também digo obrigada! Identifico-me em várias partes deste texto.

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