Testemunhos


O desafio do feriado de Todos os Santos

Testemunho da Joana Patinha:

 

O desafio do feriado de Todos os Santos começou muito antes deste mês. Logo no mês de junho, no planeamento do ano catequético, pensámos (pensei): “três dias seguidos, as crianças vão para fora, os catequistas estão cansados e querem ir para fora também. O melhor será não haver catequese!” Solução que para mim era perfeita, confesso agora com o coração um pouquinho envergonhado.

Mas meu esposo, mais consciente e um pouquinho mais perto do Senhor, não descansou enquanto não fez sulcos no meu coração empedernido e na semana antes vem a pergunta: “Como fazemos? Se não há catequese, temos de avisar os pais, os catequistas, os miúdos…”

E pronto, começa a minha consciência a tinir. E ainda lá do fundo do meu egoísmo, vem: “Vamos propor aos catequistas uma votação se há ou não?” Com o passar dos dias começam a surgir aqui no site várias sugestões para animar o dia de Todos os Santos e ainda o texto sobre o bem e o mal. Mas ainda assim meu coração, apesar de instigado, não melhora e propõe mensagem com 3 propostas: 1) não há catequese; 2) há catequese em formato normal; 3) faz-se uma festa (lanchinho) e um “Holywins” – cada catequista e criança escolhe um santo e mascara-se do mesmo, fazendo uma pequena apresentação em traços largos da vida do Santo.

Dos catequistas chegaram prontos 3 nãos (todos do mesmo ano de catequese, pelo que será questão para rezar sobre isso), mas todos os outros concordaram com a hipótese e a novidade do “Holywins” e o meu egoísmo foi vencido. Comunicámos ao pároco, anunciámos às famílias.

E a partir daí foi uma excitação em nossa casa para pensarmos que Santos seríamos. Alguns foram rápidos de decidir: eu, a Santa Teresa de Calcutá porque me diz muito; a Constança a Santa Cecília que tinha visto num livro; o Henrique o São Bruno, basicamente porque tem um hábito branco. O Luís foi o mais tardio a decidir-se, mas planeava ir de São Domingos.

Surgiu depois a sugestão da Filipa que achamos mesmo engraçada e que nos fez recordar um anterior pároco que tínhamos, que sempre distribuía o Santo do ano. Pensámos em fazer o mesmo.

Durante a semana chegaram mensagens de catequistas que tinham dito que iriam, a dizer “afinal não poderemos estar”. E o coração volta a diminuir e pensar “Mas porque não fui eu descansar com minha família? Juntávamo-nos com amigos e também assim poderíamos festejar!” Mas enfim, às vezes basta receber no coração o que é dito e aceitar.

Andámos numa luta para conseguir fazer uma Harpa para a Santa Cecília e o material venceu: não conseguimos! Até que no próprio dia pensámos que, se ela é padroeira dos músicos, pode ter outro instrumento na mão e toca de avançar com um ukele que a nossa filha já tem (cor de rosa, pois claro!) e pronto. A palma de mártir, que no início da semana estávamos convictos que encontraríamos um exemplar perfeito ao natural, acabou no sábado por recorrer à cartolina.

Para o São Bruno, a meio do dia de sábado (enquanto o nosso São Bruno dormia a sesta), foi também feita aquela espécie de bolsos que os cartuxos têm no seu hábito, cose para ali, corta para aqui. E cruz? A de madeira feita no acampamento das famílias no ano passado. Perfeito!

Para a Madre Teresa, uma toalha com as riscas em azul, um terço na mão e uma Madre Teresa pronta.

O pai pensou que com um hábito dominicano ficaria pronto, mas não pôde ser porque íamos ter um dominicano “à séria” presente. Então optou pelo meu beato preferido: Pier Giorgio Frassati. Lá fomos à arrecadação buscar a mochila das jornadas mundiais da juventude em 2011, a colchonete de todos os acampamentos e um casaco demasiado quente para o tempo que se fazia sentir e… prontíssimo!

Os nossos filhos não podiam de excitação.

E o nosso coração, sempre pouco crente na capacidade mobilizadora dos Santos, pensou que seríamos pouquíssimos! Os santos para distribuir, pensámos fazer 40: é fim-de-semana grande, não seremos mais de vinte… trinta, vá! Pelo sim, pelo não, o Luis mandou fazer 90 santos. E que vos posso dizer…

… acabaram! Em vez de quatro santos ficámos com um Santo para a nossa família (Santa Rita de Cássia) porque todos os outros voaram. Tivemos quarenta meninos na catequese da infância! O normal num qualquer sábado na nossa paróquia, mas nunca num fim-de-semana grande. Estiveram ainda muitos adultos e famílias que ficaram para assistir ao “desfile e apresentação dos Santos” porque fizemos uma breve apresentação da vida de cada um.

Muitos pastorinhos, uma família inteira (cujos pais aceitaram o desafio de virem também mascarados) de pastorinhos, muitos santos que não conhecia… E, acima de tudo, muitos sorrisos, muito contentamento e coração cheio por partilharmos a vida dos que já estão no céu!

Aqueles que semeiam com lágrimas,
vão recolher com alegria.
À ida vão a chorar,
carregando e lançando as sementes;
no regresso cantam de alegria,
transportando os feixes de espigas.

Salmo 126

Voltámos cantando de alegria! Terminámos com a Eucaristia – não posso dizer que foi a mais serena de sempre, porque a alegria e a excitação brotavam de todos poros – mas esperámos o Senhor alegres, de coração aos pulos. Esse Senhor que recebeu e se deu a pastorinhos, a Santa Eufémia, a Santa Cecília, a Santo Expedito e a tantos outros santos de braços abertos e sorrindo!

5 Comments

  1. Bem-hajam pelo testemunho! Pela persistência e, especialmente pela humildade que expõem.
    E pronto, repito: se há uma ínfima probabilidade de uma coisa que é relevante funcionar, vale a pena propor!
    Que os “nãos” não vos desanimem!

  2. Que belíssimo testemunho, tão cheio de humildade e verdade! Parabéns pela ousadia. É sempre um grande risco sermos ousados, porque damos a cara a algo que pode correr bem ou correr mal, sujeitamo-nos a que falem de nós e nos critiquem, e muitas outras coisas. Sei-o bem! Mas o Senhor pede-nos isso mesmo, que avancemos sem medo, porque Ele está por nós! Para o ano, certamente, a festa vai ser ainda maior, e daqui a nada, torna-se tradição. Graças a Deus!

  3. Pilar Pereira

    Realmente, a simplicidade desta narração (da forma e do conteúdo) conquistou-me. Por que será que complico sempre tudo?

  4. Sónia Santos

    Interessante a Santa que vos “calhou”! Santa Rita de Cássia, a santa das causas impossíveis!

  5. Joana! Que máximo!!! Gostei imenso de ler o vosso testemunho!!! Tudo concorre para o bem daqueles que amam o Senhor, já nos garantia são Paulo!! 😊

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