Testemunhos


Os tempos do tempo

Testemunho da Olívia Batista

Numa destas semanas lia um artigo em que uma senhora com cerca de 80 anos dizia que o grande problema das sociedades modernas é a falta de rotina. Argumentava ela que, num dia com vinte e quatro horas, devíamos dormir oito, trabalhar outras oito e ter como horário de lazer as restantes oito, e assim existia equilíbrio na vida das pessoas. Ao ler aquilo fiz a mim mesma a seguinte pergunta: “onde estão então as minhas oito horas de lazer?”

Todos sabemos que a vida hoje é bem mais agitada do que algum dia foi, temos muitas tarefas que precisam da nossa atenção, muitos horários para cumprir e isto torna-nos muitas vezes “escravos do relógio”. Poderemos nós viver uma vida plena, exigente, mas feliz? Ao que parece, sim. Mas é preciso compromisso da nossa parte, é preciso fazer escolhas, é preciso encontrar o tal “equilíbrio” de que falava a senhora da entrevista.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção quando lia os primeiros textos do blogue Uma família católica foi o uso do termo “tempo” que eu não conhecia: tempo para Deus, tempo de família, tempo de casal; posso ainda acrescentar também tempo pessoal. Compreender esta dinâmica mudou a minha forma de estar na vida.

Tempo para Deus: Que tempo dedico a Deus no meu dia?

O que faço é para glória de Deus? Dou graças em todas as coisas? Procuro dar-lhe o primeiro lugar?

Tempo de família: Que tempo dedico à minha família?

Costumamos fazer juntos pelo menos uma refeição? Conversamos sobre o nosso dia? Rezamos juntos? Vamos juntos à missa? Brincamos e passamos tempo a fazer actividades divertidas?

Tempo de casal: Se sou casada, que tempo dedico ao meu esposo?

Procuramos conversar todos os dias? Trocamos palavras carinhosas, pequenos presentes ou telefonemas? Sorrimos um para o outro, mesmo no meio do caos? Aceitamos os defeitos um do outro com amor? Tentamos resolver os problemas como uma equipa e não como adversários?

Tempo pessoal: Que tempo dedico a mim mesma?

Tenho por hábito parar para refletir? Uso o meu tempo pessoal para aprender novas coisas, para um passatempo que me tranquiliza e me dá alegria?

Num mundo tão agitado e cheio de solicitações, o nosso tempo é valioso, do mais valioso que podemos ter e oferecer, cabe-nos então decidir como o usamos, que dia-a-dia procuramos, como havemos de o conseguir.

Não vale de muito correr sem saber para onde, viver “preso ao relógio” quando podemos simplesmente aceitar a nossa rotina como um tesouro cuidando dele com amor, escolhendo o equilíbrio… fazendo o tempo que Deus nos ofereceu nesta terra transbordar para a vida eterna.

One Comment

  1. Pilar Pereira

    Andas inspirada, Olívia! Continua a partilhar.

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