Mãe da Igreja

“Todos eles, unânimes, perseveravam na oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, a mãe de Jesus, e com os seus irmãos.” (At 1, 14)

Tempo de Páscoa, tempo de Maria

A Páscoa lança-nos quase sempre no mês de Maria, o mês das flores, dos dias crescentes, das coresexuberantes, neste nosso lado do planeta, como também em Israel. Por terras portuguesas, e em especial aqui onde escrevo, por toda a Beira Baixa, o tempo pascal é o tempo da Senhora e das suas romarias, domingo após domingo, aldeia após aldeia. Invocamo-la com os mais variados títulos e caminhamos ao seu encontro por entre a poeira e os pólenes destes dias primaveris. Páscoa e Maria caminham juntas!

Mãe do Ressuscitado…

Mas onde está ela, nos relatos da ressurreição? Nenhum dos evangelistas nos fala de Maria. Se ela fizesse parte do grupo das mulheres que correram ao túmulo naquela manhã de Domingo, certamente seria distinguida pelo nome como a Mãe de Jesus. Mas não, Maria não foi a correr ao sepulcro. Porquê? Porque não precisou: Como sugerem São João Paulo II e vários místicos, em particular a Beata Conchita do
México, o Ressuscitado já a tinha visitado, impaciente por acalmar a dor imensurável que vira nos seus olhos naquela tarde santíssima de sexta-feira. Maria sabia que o sepulcro estava vazio.

E porque não contou Maria às amigas que vira Jesus Ressuscitado? Porque elas precisavam de fazer a sua própria descoberta do túmulo vazio, passar da noite para o dia ali naquele lugar onde a vida triunfara da morte. Todos nós precisamos de descer ao sepulcro, antes de nos encontrarmos com o Ressuscitado. Terão as mulheres ido a correr contar à Mãe de Jesus o que se passara? Terá sido João, depois da sua corrida com Pedro ao sepulcro? Os Evangelhos guardam um enorme silêncio sobre a experiência pascal da própria Mãe de Jesus. Maria sabia guardar segredo, está visto! Já soubera guardar aquando da anunciação e o nascimento de Jesus, e agora continuava a saber. E nenhum evangelista encontrou as palavras certas para descrever a intimidade e profundidade do encontro glorioso entre Mãe e Filho.

… e Mãe nossa

De pé junto à Cruz, no auge da dor, qual parturiente, Maria aceitou a vontade divina de ser Mãe da Igreja que nascia do Coração aberto de Jesus, Mãe de todos os cristãos, “discípulos amados” representados em João. O “fiat”, o “faça-se” de Maria junto à Cruz foi tão heroico e generoso como o primeiro.

Maria tinha agora uma nova missão: ser Mãe da Igreja. Cuidar. Acarinhar. Assim, depois da ressurreição, enquanto os discípulos se ocupavam com o anúncio, Maria reunia-os em oração, para que crescessem no amor. Reparemos: a Igreja reúne-se no Cenáculo, sob a chefia de Pedro, mas quem a conduz em oração é Maria. Ela é a força aglutinadora de todos aqueles discípulos medrosos. E cuida deles, dando a um, uma palavra de alento, a outro, uma palavra de ternura, a cada, conforme a necessidade, como verdadeira Mãe.

O Espírito e a Esposa

O Espírito Santo, que formou Jesus no ventre e no coração de Maria, vai descer sobre os Apóstolos para também nas suas vidas formar Jesus. É preciso que eles sejam outro Cristo, cristãos – e só quando o Espírito vem, com o fogo do seu Espírito no Crisma, somos verdadeiramente cristãos. Era, por isso, preciso que Maria estivesse no Cenáculo, também Ela à espera do Espírito. Não porque não fosse já totalmente possuída pelo Espírito, mas porque o Espírito precisa da Esposa para gerar Jesus nos corações. O Espírito e Maria
unem-se em perfeita sintonia para gerar Jesus nas nossas vidas.

Desde a Cruz, passando pelo Pentecostes, até aos dias de hoje, Maria continua a cooperar com o Espírito para que Jesus nasça e cresça em cada um de nós. Deus quis precisar de Maria para Jesus nascer na carne, e quer continuar a precisar de Maria para que Jesus nasça nos nossos corações. Nunca esqueçamos as dores de parto que Maria experimenta para que Jesus nasça em corações de pedra como são os nossos tantas vezes!

Compromisso

Celebrar a Páscoa é, assim, também celebrar Maria, nossa Mãe. O mês de maio e o tempo pascal estão intimamente unidos e muitas vezes sobrepostos. Não existe um sem o outro. Aproveitemos então estes dias belos para mostrar à Mãe a nossa infinita gratidão pela sua generosidade! O que podemos fazer?

Escolhamos uma das inúmeras romarias de Nossa Senhora nesta primavera e façamo-la em família, como verdadeiros peregrinos. Se já passaram, escolhamos uma capela dedicada a Nossa Senhora e façamos a nossa peregrinação familiar a pé, por montes e campos, tão ao seu estilo campestre.

Façamos um esforço real para rezar o Terço em família todos os dias de maio. Maria sofre muito mais por nós do que nós “sofremos” para encontrar quinze minutos diários para esta oração!

Façamos muitas vezes, ao longo do dia, pequenas orações de agradecimento a Maria, consagrando-lhe a nossa vida e a nossa família, e ajudemos os filhos a fazer o mesmo. “Mãe do Céu, cuida de mim”, “Mãe de Caná, ensina-me a fazer tudo o que Jesus disser”, são orações simples e belas que qualquer criança pequenina pode repetir várias vezes por dia.

A todos, um feliz Mês de Maria, unidos à Mãe à espera do Pentecostes! Ámen! Aleluia! Aleluia!

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