Depois reuniu Josué todas as tribos de Israel em Siquém; e chamou os anciãos de Israel, e os seus chefes, e os seus juízes, e os seus oficiais; e eles se apresentaram diante de Deus. Então Josué disse a todo o povo: (…) «Escolhei hoje a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha família serviremos ao Senhor.» (…) E disse o povo a Josué: «Serviremos ao Senhor nosso Deus, e obedeceremos à sua voz.»” Josué 24, 1-3.15.24
“«Senhor, não sirvo para Te amar, quero casar-me e que me dês muitos filhos, para que eles Te amem melhor do que eu.» Isto parecia-me um pedido justo, para saciar a minha sede de amá-Lo e de vê-Lo amado de uma maneira melhor, não só por mim, mas com algo meu, com o meu próprio sangue e a minha vida.” Beata Conchita Cabrera de Armida
A Aliança de Siquém
Josué estava velho. Cumprira a sua missão, liderara o povo na conquista da Terra Prometida, era hora de se despedir. Antes, porém, Josué quis certificar-se de que o povo se manteria fiel ao Senhor. Convocou todas as tribos de Israel e reuniu os chefes de famílias em Siquém.
Fora em Siquém que, há muito tempo, Deus estabelecera a sua Aliança com Abraão, depois com Jacob; fora em Siquém que Jacob escavara o famoso poço à beira do qual, dois milénios depois, uma mulher Samaritana encontraria Jesus; e será agora em Siquém que, uma vez mais, se renovará esta Aliança – que o Senhor quer estabelecer com cada geração, até ao fim dos tempos.
Não sei a que deus quereis servir, diz Josué ao povo, enquanto lhe lembra tudo o que o Senhor fizera por eles, até chegarem ali. Mas Josué sabe a quem ele e a sua casa servem e servirão até ao fim: ao Senhor, o único Deus. Os chefes de família de todas as tribos de Israel respondem em coro, por três vezes, que também eles servirão ao Senhor, e obedecerão à sua voz. Será esta herança de fidelidade que Maria nos deixará em Caná: “Fazei tudo o que Jesus vos disser!”
A Aliança matrimonial
No dia do nosso Matrimónio, cada uma das nossas famílias fez Aliança com o Senhor. Naquele dia, a igreja de pedra onde nos reunimos foi a nova Siquém; do altar, qual novo poço de Jacob, jorrou a Água-Viva. E também nós prometemos: “Eu e a minha família serviremos o Senhor!”
A partir daquele instante, deixámos de amar Jesus a solo, para O amar em uníssono, numa união de corações: primeiro dois, depois, se Deus achar bem, três, quatro, cinco… A Beata Conchita Armida teve a intuição perfeita deste mistério. Ao casar, ela percebeu que ia ter oportunidade de amar mais, e não menos, a Jesus, pois iria amá-Lo com mais um coração. À medida que os filhos chegavam, e chegaram nove, Conchita deu-se conta de que cada filho era mais um coração para amar a Deus. Como estão enganados, os que pensam que o Matrimónio nos impede de amar plenamente o Senhor!
Também nós nos sentimos, tantas e tantas vezes, incapazes de amar a Deus como devíamos. Mas logo descobrimos que não temos de o fazer sozinhos: temos uma família! Somos vários corações para O amar. O gesto singelo de nos reunirmos no Canto de Oração, para rezar o Terço e escutar o Evangelho, é bem mais poderoso do que imaginamos. Na verdade, é explosivo, capaz de revolucionar o mundo. E se somarmos as pequenas obras de misericórdia que cada membro da família faz ao longo do dia? Mas quando se trata do bem, Deus não soma, multiplica… Maravilha.
Os conventos domésticos
A família cristã é uma pequena Igreja Doméstica. E Deus, disse Níkos Kazantzákis, é mais doméstico do que monástico. Não porque haja algo de errado com os mosteiros – lugares magníficos de santificação – mas porque há algo de muito certo com as famílias, também elas lugares magníficos de santificação. Deus é mais doméstico, porque a vocação familiar é mais comum. A vida silenciosa de um mosteiro e a vida barulhenta de uma família têm a mesma finalidade: levar-nos ao Céu.
A nossa casa é o nosso convento, onde a sineta do dever toca continuamente a chamar-nos à adoração. E nessa adoração, não estamos sós: somos vários corações para O amar! Por isso, como Josué, como Conchita, também nós queremos dizer: “Eu e a minha família serviremos o Senhor.”
Compromisso
Neste mês em que regressam as rotinas normais do ano, com a sua alternância entre trabalho e descanso, escola e brincadeira, semana e Domingo, renovemos a nossa Aliança com o Senhor. Queremos amá-Lo em família, e por isso, precisamos de encontrar tempos fortes, ao longo do dia, para a oração: de manhã, ao acordar ou, se for o caso, ao partilhar o carro a caminho da escola ou do trabalho; às refeições, pedindo a bênção para os alimentos e o reencontro; ao serão, com o Terço e as Escrituras. Depois, mantenhamo-nos na Presença de Deus, partilhando com Ele todas as nossas tarefas, as difíceis e as agradáveis, as previstas e as imprevistas. Nós, Jesus!
Assim conscientes da nossa Aliança com Deus, também nós seremos capazes de proclamar: Eu e a minha família serviremos o Senhor. Ámen!

Em Deus 21,7,8,23 Moisés disse a Josué se forte filho meu, agora depois de ler o seu texto sabemos que de facto Josué foi forte, pois acabou a sua jornada com o povo a jurar a sua fidelidade a Deus único e verdadeiro.
Um abraço
Olá Família Power
Grata por mais esta partilha.
Desbravam caminhos de vida e vão dando várias pistas e apoios – desconhecia por completo a Beata Conchita que é uma dádiva de Deus.
Santo Domingo para todos nós.