Em Caná da Galileia…



A banalização da imoralidade

Num destes domingos, aqui no Canto de Caná, uma Irmã que gosta de cá vir rezar contou-me esta história. Na sua casa, têm de momento duas noviças africanas, que vieram de propósito para integrar a congregação. Pouco depois de chegarem a Portugal, foram ambas chamadas ao centro de saúde da área. A razão era tão simples quanto absurda: fornecer-lhes receitas da pílula contracetiva. Entretanto, acabo de receber um mail de uma mãe de Família de Caná, contando que a filha mais velha, de vinte anos, foi abordada pelo médico de família no mesmo sentido: estaria ela a ser responsável e(…)

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Mães de joelhos

Uma das passagens que me tocou na autobiografia de Dorothy Day, The Long Loneliness, refere-se a um episódio da infância de Dorothy aparentemente insignificante. Dorothy Day cresceu no início do século vinte nos EUA, numa família sem religião. À sua volta, havia católicos, episcopalianos e evangélicos, e as igrejas com os seus hinos exerciam um fascínio imenso sobre a pequena Dorothy, que no entanto raramente nelas entrava. A sua conversão dar-se-á muito mais tarde, depois de um romance falhado, um aborto procurado, novo romance e uma bebé nos braços. E o salto para a santidade, uma santidade indiscutível, começará precisamente(…)

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Domingo X do Tempo Comum ano B

Reflexão semanal, escrita pela Teresa, sobre as leituras da missa do domingo seguinte, publicada no jornal diocesano Correio do Vouga QUE GRANDE CONFUSÃO! Os textos deste domingo transportam-nos para o meio da tempestade causada pelo pecado. Da Primeira Leitura ao Evangelho, não temos como fugir a esta visão aterradora do mal que todos causamos e que todos sofremos, e que mais nos faz gritar por um Salvador a partir “do profundo abismo” em que vivemos. Adão e Eva. Como terá sido o episódio que levou a esta bela alegoria? Não sabemos. Mas com ou sem árvores de fruto e serpentes(…)

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Surpresa

Finais de maio, hora de jantar. Sobre a mesa coloco uma linda caixinha vermelha com uma fita. Um presente para todos. Os meninos chegam à cozinha e sentam-se à mesa. “O que é isto, mãe?” Perguntam. “São chocolates?” Mas o Francisco troca olhares com a Clarinha: “Onde é que eu já vi uma caixinha sobre a mesa de jantar?! Clarinha, acho nós já assistimos a várias cenas destas… Será possível?!” Eu faço-me séria. “Não são chocolates, não. É um presente de Natal.” “De Natal?” Agora a curiosidade está ao rubro. “A Sara vai ter o direito de abrir, porque é(…)

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Graças ou desgraças?

Num destes dias, por ocasião do meu aniversário, a minha mãe recordava aqui em casa o dia feliz de há 46 anos atrás, quando me pegou ao colo pela primeira vez. A seu lado, na cama da maternidade, estava uma outra mãe, mãe de seis filhos que nunca chegaram a nascer. Sim, ao lado da minha mãe estava uma mulher a recuperar do seu sexto aborto espontâneo… A minha mãe ainda hoje recorda a sua face e a ternura com que me olhava. Na vida, e por muito que custe a acreditar, tudo é dom. A fertilidade, como a infertilidade.(…)

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