“Jesus disse-lhes: ‘Vinde vós, sozinhos, para um lugar deserto e descansai um pouco.’ É que eram tantos os que iam e vinham, que nem tinham tempo para comer.” Marcos 6, 31
Um desafio especial
Os Evangelhos estão cheios de desafios de Jesus. Desafios a que O sigamos, a que anunciemos o Reino, a que nos levantemos e lancemos mão ao arado, a que abandonemos o pecado. O de hoje tem sabor a Céu: “Vinde vós, sozinhos, para um lugar deserto, e descansai um pouco!” Descansar, só nós, o nosso grupo mais íntimo, num lugar deserto, com Jesus? Uau.
Sabemos o resto da história: quando chegaram ao lugar deserto, já não era deserto, porque a multidão adivinhara para onde Jesus se dirigia e chegara primeiro. Mas valeu a intenção. E afinal, é neste deserto onde Jesus tencionava ter tempo para comer com os discípulos, que a multidão vai ser alimentada milagrosamente a partir de alguns pães e alguns peixes, como escutamos neste primeiro Domingo de agosto.
Em várias paragens da vida, o Senhor faz-nos o convite a “descansar um pouco”. São paragens cíclicas, que acontecem diariamente, semanalmente, anualmente, onde nos alimentamos para continuar a aventura rumo ao Céu. Mas o melhor de tudo é que estas paragens são para acontecer com Jesus. Por isso, Jesus refere-se ao deserto, que é o lugar bíblico de encontro com Deus.
Nós, Jesus, Tu e eu! Rezamos nas Famílias de Caná. Nós, Jesus, mesmo nos momentos de descanso. Para que possam ser um pedacinho de Céu.
Descansar com Jesus
Que paragens são estas, onde o convite de Jesus ressoa mais alto?
Diariamente, cada família é desafiada a fazer do seu “Tempo de Família” um momento de deserto, ou seja, de alguma distância dos ruídos do mundo, para que possa ser um verdadeiro tempo de descanso, de alegria e de partilha, com Jesus. Estamos atentos a este tempo diário? Protegemo-lo, marcamo-lo na agenda, damos-lhe a importância que ele tem?
Precisamos, como Jesus bem sabia, de “tempo para comer”, de tempo para conversar sem pressa à volta da mesa de jantar. Façamos do “tempo para comer” um momento especial cada dia, desde a preparação da refeição à limpeza final da cozinha. Comecemos por fazer deserto, desconectando-nos do mundo e da Internet. Queremos ouvir-nos uns aos outros durante estes curtos minutos!
Com crianças, o momento pode ser caótico, e com adolescentes, pode ser bastante rabugento quando se chega, por exemplo, à lavagem da louça, mas vale a pena investir neste tempo. Jesus, certamente, pisca-nos o olho e alegra-se com este pequeno caos, empenhando-Se em nos ajudar a restabelecer o cosmos. É a Sua arte, desde o instante inicial da Criação!
Quando passamos da mesa de jantar para o Canto de Oração Familiar, fazemos uma transição muito natural: pusemos a conversa em dia uns com os outros, é altura de a pôr com Jesus; alimentámo-nos com o pão da terra, agora alimentamo-nos com a Palavra que sai da boca de Deus. A oração familiar torna-se assim um momento diário de descanso no Senhor, em que Ele nos alimenta com as Escrituras e nos prepara, com o embalo ritmado do Terço, para o descanso noturno. Jesus nunca nos deixa com fome no deserto, como a multidão do Evangelho descobriu.
Semanalmente, o momento central de descanso familiar é, claro, a missa dominical, quando a família se junta à volta da mesa na Casa do Pai, para escutar a sua Palavra e se alimentar do Pão do Céu, o único que realmente sacia a nossa fome de eternidade.
O Domingo é também o dia ideal para esticarmos um bocadinho este tempo de deserto diário, com
algumas horas de brincadeira familiar, ou outra forma de atenção uns para com os outros, e que pode acontecer num tempo simples de jardinagem, de culinária, de passeio, de visita aos avós.
Anualmente, façamos das férias familiares um verdadeiro retiro em família! No mar ou na montanha, em longas caminhadas ou em longos dias na areia, sob um sol escaldante ou à luz das estrelas, de visita a casa uns dos outros, aproveitemos para gastar tempo com a família – a próxima e a alargada, os primos, os avós, os tios, os irmãos, pais e filhos – e aproveitemos para gastar tempo com Deus, lendo as Escrituras e ampliando a oração. Se, em férias, participarmos na missa numa paróquia diferente, desfrutemos desta alegria católica, porque universal, de nos descobrirmos família de Deus em lugares tão distantes da nossa casa! E demos graças ao Senhor por tanto dom, que as férias são sobretudo o tempo da gratidão.
Compromisso
“Vinde vós, sozinhos, para um lugar deserto e descansai um pouco”. Assim Se dirige Jesus hoje também à nossa família, este “nós” que é esta sua Igreja Doméstica. Portanto, o convite a descansar com Ele, em família, longe da multidão, é muito mais que um desafio atraente: é um mandamento. Não arranjemos desculpas para não o cumprir! Que Jesus nos ajude a encontrarmo-nos com Ele, em família, no deserto, e nos sacie a fome de eternidade. Ámen!
