“Foi então que Josué falou ao Senhor, na presença de Israel. Disse Josué: ‘Sol, detém-te em
Gabaon, e tu, lua, no vale de Ajalon!’ E o sol deteve-se e a lua ficou imóvel até que o povo se
vingou dos seus inimigos. Não está isso escrito no Livro do Justo? O sol ficou imóvel no meio do
céu e atrasou o seu ocaso de quase um dia inteiro.” (Josué 10, 12-13)
A lição de Josué
Josué é uma personagem bíblica incontornável, e todos o conhecemos pela sua coragem, bravura, fidelidade, capacidade de liderança e, claro, pelas suas artes de guerra. Talvez poucos saibam, contudo, que Josué teve uma façanha mais espetacular do que as suas vitórias militares: Josué convenceu Deus a parar o tempo! Vejamos como tudo aconteceu:
No meio de mais uma das suas numerosas batalhas, Josué, este grande e santo guerreiro, percebe que está sem tempo. Um dia inteiro não ia ser suficiente para vencer o inimigo, e a noite estava a chegar. Como pode Josué ganhar tempo? Ele sabe: para ganhar tempo, tem a ousadia de o perder, rezando. E logo Deus responde, como sempre, com a sua infinita abundância: o tempo que corria, agora parou. Dias longos e férias grandes Chegaram os dias mais aguardados do ano, pelo menos para os mais pequenos! E com eles, as férias
familiares para a maioria de nós. Mesmo que não sejam férias, o tempo de verão é sempre um tempo diferente. Como aproveitar este dom que o Senhor nos faz, em que o sol fica imóvel no meio do céu e os minutos parecem demorar-se prazenteiramente à beira-mar, no cimo da montanha, ou sob um manto de estrelas? Para ganharmos este tempo de verão, somos, como Josué, desafiados a perdê-lo.
Dias longos e férias grandes
Chegaram os dias mais aguardados do ano, pelo menos para os mais pequenos! E com eles, as férias familiares para a maioria de nós. Mesmo que não sejam férias, o tempo de verão é sempre um tempo diferente. Como aproveitar este dom que o Senhor nos faz, em que o sol fica imóvel no meio do céu e os minutos parecem demorar-se prazenteiramente à beira-mar, no cimo da montanha, ou sob um manto de estrelas? Para ganharmos este tempo de verão, somos, como Josué, desafiados a perdê-lo.
Josué falou ao Senhor
Primeiro, a oração. Assim fez Josué e não ficou confundido, antes pelo contrário. Já nos decidimos a dar a Deus o horário nobre e o lugar central na nossa casa? Aproveitemos o verão, os dias longos, as noites suaves, para fazer crescer a Oração Familiar. O tempo dado a Deus, diz-nos Josué, joga anosso favor! Sejamos generosos para com o Senhor, oferecendo-Lhe o nosso “obrigado”, meditando na sua Palavra diária, rezando o Terço, cantando para Ele, tudo com muita simplicidade, como é próprio das famílias.
No entanto, rezar não acontece apenas no Canto de Oração Familiar. Rezar é este contínuo “Nós, Jesus” que nos acompanha pela vida e pela rotina dos dias. Em férias, quando os dias são diferentes, esta Presença do Senhor torna-se também especial, porque feita do espanto e ação de graças. Quanta beleza o Senhor nos oferece na sua Criação! Sejamos gratos, transformando o espanto em oração, e ajudemos os mais novos a fazer o mesmo, não apenas ao fim do dia, mas durante as horas mágicas em que o Senhor “faz parar o sol” para nos surpreender, numa praia ou num convívio de família.
Um dia inteiro
Férias familiares significam “um dia inteiro” em que o “sol parou” sobre a nossa família. Para quase todos nós, as férias chegam de forma abrupta, interrompendo o trabalho árduo de um dia para o outro – como o sol que para na sua trajetória. É assim de repente que nos vemos a tempo inteiro com a nossa família, e nem sempre é fácil desligar da rotina e saborear este dom precioso.
Vamos! Num mundo assolado por desastres naturais e humanos, sabemos perfeitamente que nada está garantido, e a família que hoje temos, amanhã pode não estar cá. Não desperdicemos a oportunidade que o Senhor nos dá, “imobilizando o sol” sobre a nossa casa!
Paremos, e contemplemos. Não transformemos as férias familiares em múltiplas correrias de uma atividade para outra, ou em longas viagens no meio de trânsito intenso para os destinos mais concorridos. Não nos deixemos dominar pelo ruído do mundo, incapazes de nos desconectarmos. Deixemos antes o telemóvel na gaveta e fujamos da poluição sonora, para sermos capazes de escutar a voz do Senhor que respondeu a Josué, e que nos responderá também, se assim nos dispusermos a ouvi-Lo. Depois, estiquemos o tempo à volta da mesa, ao serão, sobre a areia da praia, ou em longas caminhadas. Todas as oportunidades são preciosas para conversar sem pressa com os nossos, para nos determos diante do seu mistério e os acompanhar nesta grande aventura rumo à Terra Prometida.
Em família, especializemo-nos na arte da contemplação, perdendo tempo para o ganhar com juros: observar as nuvens a cobrir o céu de desenhos, aprender a identificar pássaros pelos seus trinados, explorar o céu noturno. As crianças hoje crescem à pressa, habituadas a estímulos constantes nos seus dispositivos eletrónicos, e é preciso “parar o tempo” pelo menos durante as férias, para que se abram à dimensão espiritual. Ajudemo-las a fazer esta paragem essencial.
Compromisso
É verão. Como Josué, sejamos capazes de ser “a tempo inteiro” de Deus e da nossa família, perdendo com Deus e com ela o nosso tempo, para o ganhar multiplicado. Ámen!

Obrigado Teresa por mais um ensinamento, tão pertinente – como sempre, aliás – em que nos ajuda precisamente a perceber como devemos gerir o nosso tempo: perdendo-o com o que verdadeiramente importa, para o ganharmos multiplicado!
Obrigado pela reflexão, pelas pistas e opções de como podemos aproveitar os momentos em que o Senhor ‘faz parar o Sol’ para nós!
Bem-haja