Emanuel

“Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamarão com o nome de Emanuel, que
significa, Deus está connosco.” (Mt 1, 23)

Ano Novo

Começamos o novo ano civil com uma grande notícia: Deus está connosco! Esta é a certeza do
Natal, do mistério da Encarnação do Verbo Divino. O Criador do Universo decidiu descer e visitar a
sua Criação, mas não o fez de fora para dentro, pelo contrário: encarnou, tornou-Se um de nós,
comeu e bebeu connosco, passou frio, sofreu, alegrou-se, festejou, riu, chorou, enfim, viveu. Ele é
verdadeiramente o Emanuel, que nunca nos deixará.
Como os Magos, ponhamo-nos a caminho, seguindo a Estrela da sua Palavra, até O encontrar. Se Ele
está connosco, está certamente ao nosso alcance. Vou deixar-vos aqui quatro pistas, quatro lugares
que o Senhor escolhe, hoje, para seu Presépio. É para lá que queremos caminhar:

A Eucaristia

Jesus nasceu em Belém, que significa Casa do Pão, e foi deitado numa manjedoura, lugar de
alimento, para nos dizer desde o primeiro instante: “Eu sou o Pão da Vida.” (Jo 6, 35) Quem mais
nasce numa manjedoura? Os cordeirinhos, claro está, e certamente que neste Natal já os vimos pelos
campos, recém-nascidos, pertinho de suas mães. Na Bíblia, não há acasos: nascido num estábulo
entre animais, Jesus é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” (Jo 1, 29)
Na Eucaristia, o sacerdote toma em suas mãos o Pão da Vida e anuncia: “Eis o Cordeiro de Deus que
tira o pecado do mundo.” O altar é Presépio onde Deus está connosco, Emanuel. Corramos, pois, à
Eucaristia em cada Domingo para adorar Jesus, com a humildade dos pastores e dos magos!

A Família

A partir do momento em que Deus nasceu numa família, todas as famílias do mundo foram
santificadas. Cada família é, pois, uma Sagrada Família, e cada casa é um Presépio onde Jesus é
adorado e amado. Nunca o esqueçamos! Ele está no meio de nós, connosco, Emanuel. Está nos
filhos, no esposo, nos irmãos, nos pais, nos avós, e percorre os laços familiares e a sucessão das
gerações, como o proclamam as duas genealogias de Jesus, em Mateus e Lucas.
Entremos em casa como quem entra na igreja: com fé, devoção, reverência, amor. Quando sentirmos
a tentação de levantar a voz, lembremo-nos de que nas igrejas se fala baixinho! Vivamos cada dia à
luz da liturgia, como sugeria o Papa Francisco ao propor três palavras para a construção da harmonia
familiar: “Desculpa! Obrigado! Por favor!” São as palavras que resumem a liturgia, onde se pede
perdão, se dá graças, se intercede por todos, e são as palavras que resumem o amor familiar.
Façamos da hora da refeição e da hora da Oração Familiar os momentos centrais de cada dia, os
momentos em que damos a Deus o primeiro lugar. E enchamos estas Igrejas Domésticas de
gargalhadas e festa, porque a liturgia é também celebração e antecipação da felicidade do Céu.

A comunidade

Às vezes, caímos na tentação de imaginar a vida da Sagrada Família como uma vida solitária,
fechada sobre si mesma. Nada mais distante do Evangelho: assim que nasceu, Jesus foi de imediato
visitado por pastores desconhecidos, que vieram apressadamente, diz-nos Lucas. E os pastores
espalharam a Boa Nova a todos os que encontraram, que certamente também correram ao Presépio.
Tanta gente à volta de um bebé! Mais tarde, chegaram os Magos. Nessa altura, Maria já estava
acostumada a visitas estranhas…
Não nos fechemos nos nossos Presépios. É uma tentação fácil no mundo atual, onde as famílias
vivem muito isoladas e onde se tornou bem mais fácil construir relações virtuais do que contactar os
vizinhos e a paróquia, às vezes também eles com medo de estranhos e pouco acolhedores. Sejamos
aqueles que dão o primeiro passo, que abrem as portas, que retiram do portão o letreiro “Cuidado
com o cão” e o substituem por outro: “Sejam bem-vindos!” E deixemos encher a nossa casa.

Os pobres

O Papa Leão escreveu-nos uma belíssima carta pouco antes do Natal, que vale a pena ler. Nela,
relembra-nos a importância dos pobres no Evangelho: “Os mais pobres não são mero objeto da nossa
compaixão, mas mestres do Evangelho. Não se trata de lhes ‘levar Deus’, mas de encontrá-Lo ali.”
(Parágrafo 109) “Os pobres não são uma categoria sociológica, mas a própria carne de Cristo.”
(Parágrafo 110). Na sua mensagem de Natal “Urbi et Orbi”, o Papa citou as palavras de São João: “O
Verbo encarnou e armou a sua tenda entre nós” (Jo 1, 14). Depois, acrescentou: “Como, então, não
pensar nas tendas em Gaza, expostas a semanas de chuva, vento e frio?” Que neste Ano Novo
sejamos capazes de servir, amar e encontrar o Senhor nos pobres que Ele colocar no nosso caminho!

Compromisso

Em Jesus, Deus fez-Se Emanuel. Estejamos atentos! Encontremo-l’O na Eucaristia, na família, na
paróquia, nos vizinhos e amigos, nos pobres. O Presépio é aqui mesmo.

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5 Comments

  1. Bom Ano Novo!
    Receber a vossa carta é sempre uma alegria e momento de sentir e viver Deus na prática quotidiana.
    Hoje venho pedir a vossa oração familiar, que agradeço desde já, por uma querida e muito amada familiar nossa.

  2. Obrigada, Teresa! Saiba que as suas palavras são lidas e percebidas como verdadeiras. Não consigo, em inúmeras ocasiões, pô-las em prática, mas até por isso é muito bom lê-la (outro dia perguntava-me o meu filho: “A mãe acha que a Teresa Power diria isso? 😀)

    Feliz Ano Novo!

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