Em Caná da Galileia...


O Movimento, a paróquia, a missão…

“As Famílias de Caná são muito pouco estruturadas”, comenta-se de vez em quando. E também: “As Famílias de Caná não oferecem uma formação sólida, é tudo muito no ar.” Sei de párocos que evitam levar o Movimento para a sua paróquia porque não sabem “por onde lhe pegar”, e de famílias que deixaram de crescer à sombra do Movimento por não encontrarem nele a satisfação de todas as suas necessidades espirituais.

Mas também sei de párocos que se sentiram seduzidos pelo Movimento por encontrarem nele famílias disponíveis para o trabalho paroquial, capazes de se inserir nas diversas propostas de formação da sua própria paróquia e com tempo para serem catequistas, acólitos, cantores, leitores, visitadores de doentes, ministros da comunhão, etc.

É verdade, sim: somos muito pouco estruturados e não queremos ter o monopólio da formação espiritual das famílias que acompanhamos. Faz bem à família – adultos, crianças e jovens – crescer com influências espirituais diversas, ir a encontros e retiros variados. Como S. Francisco de Assis em relação à Ordem por ele fundada, também nós, Família Power, tememos o dia em que nos passemos a identificar por letras ou números, ou deixemos de ter tempo para as nossas paróquias porque estamos sempre em formações intra-movimento, naquela auto-referencialidade que o Papa Francisco tem vindo a denunciar nas suas homilias e em muitos encontros com Movimentos de Igreja. Que nunca nos falte a flexibilidade e a leveza…

Ser Família de Caná é uma forma de vida familiar, e nisso, é uma forma exigente. Cada Família de Caná é independente de todas as outras. As Bodas  acontecem diariamente, em casa, e na missa dominical, na paróquia. É-se Família de Caná quando todos os dias, sem exceção, temos Tempo de Deus e Tempo de Família, na companhia de Maria, nossa Mãe.

E as Aldeias de Caná? As Aldeias são o transbordar da nossa alegria. Elas não existem para suprir as necessidades de formação espiritual das famílias. Existem porque gostamos de estar juntos, de rezar juntos, de brincar juntos. Existem porque tanto pais como filhos precisam de se encontrar com quem partilha a mesma forma de viver, para que a anormalidade da sua fé seja normalidade de vez em quando. Não as queremos muito estruturadas – e por isso lhes chamamos Aldeias, e não grupos. O importante é partilhar a vida e a oração entre famílias completas. Também não queremos que se reúnam mais do que uma vez por mês, para não roubarem o tempo necessário ao encontro, esse sim essencial, com a família alargada e com a paróquia, e para que não se tornem auto-referenciais, perdendo o sentido de missão.

As Famílias de Caná são pobres, da pobreza evangélica que Jesus pregou. Isto significa que não têm nelas mesmas meios ricos de formação espiritual. A cada mês, propomos um Ensinamento Mensal, para que possamos caminhar em sintonia. De vez em quando, especialmente nos tempos litúrgicos fortes, propomos um retiro, um encontro, um acampamento (yessss!), sempre, sempre abertos a todos os que queiram participar, sem fazer aceção de pessoas. Mas não procuramos que estes momentos sejam suficientes para cobrir as necessidades de formação de cada um. Pelo contrário: queremos que todas as famílias vão buscar o seu alimento espiritual à casa comum da paróquia. É aí que elas devem procurar ter catequese, cursos bíblicos, etc.

“Mas na minha paróquia não há nada de jeito”, dizem alguns. Então está na altura de arregaçar as mangas e trabalhar! Porque se eu tiver fome e ninguém me der de comer, não tenho alternativa senão aprender a cozinhar… Quando as famílias precisam da sua paróquia para se alimentarem espiritualmente, elas contribuirão de uma forma muito mais empenhada para essa mesma paróquia. E ser Família de Caná passa por aqui.

Queridos sacerdotes, que nos tendes perguntado se nas vossas paróquias podeis contar com as Famílias de Caná para trabalhar: a nossa resposta é SIM. As Famílias de Caná estão aí para ser catequistas, para organizar atividades para os jovens, para preparar noivos para o matrimónio e pais para o batismo, para servir os pobres, para visitar os doentes, para embelezar a liturgia, para orientar formações catequéticas e bíblicas. E também estão aí para, através dos seus membros, participar na catequese infantil, no grupo de jovens, nas várias propostas que tendes para as vossas paróquias.

O novo ano pastoral está prestes a começar. Nós, Família Power, estamos disponíveis para ir às paróquias desafiar as famílias a viver esta Boa Notícia: podemos ter Tempo de Deus e Tempo de Família a cada 24 horas, com direito a doses extra de felicidade!

Aguardamos também com entusiasmo os testemunhos das Famílias de Caná que vivem esta realidade: como se empenham elas nas suas paróquias? Como fazem para receber e dar formação cristã no seu meio? Partilhem connosco e enviem-nos o vosso testemunho! Teremos imenso gosto em o publicar.

Façamo-nos à estrada então! Se somos Famílias de Caná, somos missionários consagrados, ao serviço de todos.

Ide pois às encruzilhadas dos caminhos e chamai para as Bodas todos quantos encontrardes. (Mt 22, 9)

Ámen.

3 Comments

  1. Não posso concordar mais! Ser família de Caná é ser família cristã e católica, no sentido mais pleno do termo, se tivermos a Graça de o almejar… é dar-mo-nos coragem, reciprocamente, de seguir um caminho visto como… nem sei explicitar, porque nesta “nova era” o vazio e a crítica gratuita é tal, que não encontro sequer termos para descrever o modo depreciativo como esta forma de estar é encarada por alguns.
    Porque não tem um estatuto formal, hierarquias ou regras… mas a oração está presente no quotidiano, a disponibilidade para o outro, no Amor de Deus… os tropeções do pecado, assumidos quando reconhecidos…
    Olhar e procurar Deus… na louça que se lava, tal como num belíssimo ocaso… e em família, em conjunto de modo assumido e natural.
    Não fosse a imperfeição humana e bastaria a Igreja, corpo místico de Cristo… mas na nossa fragilidade precisamos de nos agrupar, de acordo com o Carisma que o Espírito Santo nos imprime… com visibilidade, mas também no recolhimento de uma vida simples.
    Disponíveis para servir, por Amor a Deus…

  2. BOM DIA,FAMÍLIA POWER!
    … “As Famílias de Caná não oferecem uma formação sólida, é tudo muito no ar.” – Não oferecem formação sólida?!De que vale a dita formação,se ficar apenas e somente registada no papel, e permanecem no seu dia a dia,do mesmo jeito no “morno,morno”?Quem assim fala,com certeza ainda não conhece/leu o vosso “Compromisso Familiar-Famílias de Caná”! Ao invés de “formação sólida” encontram sim,um verdadeiro alimento sólido para fazer acontecer paróquias “mais crescidas” e “acrescidas” de valores,do tanto que são o vosso exemplo de vida.O meu abraço,para todos vós,e votos de uma semana abençoada.

  3. Rogério Ribeiro

    Teresa as famílias de caná estao muito bem assim…
    Pois foi assim com o vosso testemunho de vida coerente de palavras e obras que eu me apaixonei pelo vosso movimento!

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