Em Caná da Galileia...


A Divina Misericórdia

Nas inúmeras deslocações em trabalho ao estrangeiro, o Niall aproveita sempre as curtas pausas de almoço ou entre voos e reuniões para entrar numa igreja católica e rezar. Não é tarefa fácil, quando os países em questão são maioritariamente protestantes! Mas a sua persistência tem sido bem recompensada, e no regresso a casa, o Niall traz sempre belas histórias de encontros inesperados com o Senhor.

Numa das suas últimas viagens, o Niall tardou em dar notícias, deixando-me preocupada. Por fim, recebi no telemóvel uma mensagem: “Estou em adoração”, acompanhada desta belíssima fotografia:

De imediato, acompanhei espiritualmente o Niall na sua adoração, enquanto dava graças pelo sacerdote que se lembrara de assim aproveitar a imagem de Jesus Misericordioso, colocando a Hóstia Santa no lugar do Coração de Jesus. Pois não é esse mesmo o significado mais profundo da imagem, mandada pintar pelo próprio Jesus?

Também na nossa casa, esta imagem é particularmente venerada. Jesus disse a Faustina que o seu olhar nesta imagem é o mesmo que tinha na cruz. Entretanto, foram feitos estudos comparativos entre esta imagem e a do Santo Sudário de Turim, concluindo que se sobrepõem praticamente ponto por ponto…

Aproximamo-nos do Domingo da Misericórdia. Que grande dia este! Até ao ano 2000, este dia chamava-se simplesmente “Domingo II de Páscoa” ou “Domingo de Pascoela”, e a Festa da Misericórdia era mais uma das muitas devoções católicas que somos convidados a viver ou não, de acordo com a nossa sensibilidade espiritual. Mas a partir do ano 2000, esta Festa tornou-se obrigatória para toda a Igreja, pois S. João Paulo II assim o decidiu, ao mesmo tempo que canonizava a sua conterrânea, a Irmã Faustina Kowalska (1905-1938). Se por um lado, os católicos não são obrigados a acreditar em nenhuma visão ou aparição sancionada pela Igreja, para lá das que estão registadas na Bíblia, por outro lado, a atitude de S. João Paulo II oferece-nos fortes razões para levarmos a sério esta devoção e nos tornarmos seus arautos.

Porque terá Jesus escolhido este domingo para a Festa da Misericórdia? Precisamente porque neste dia, o Evangelho apresenta a instituição da Confissão Sacramental na aparição de Jesus aos Apóstolos, bem como a visão do Coração Aberto de Jesus, na aparição a Tomé:

Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos. (Jo 20, 22-23)

Depois disse a Tomé: “Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado…” (Jo 20, 27)

Assim, Jesus prometeu a Santa Faustina que quem se confessar e comungar na Festa da Misericórdia, obterá o perdão total das culpas e castigos, isto é, uma indulgência plenária. E pediu que nesse dia, os sacerdotes falassem especificamente da misericórdia divina.

Cá em casa, preparamos sempre esta festa com a Novena à Divina Misericórdia, ditada por Jesus a Santa Faustina, e que se inicia na Sexta-feira Santa. Rezamos de seguida a Coroa da Misericórdia (também se costuma chamar Terço da Misericórdia, mas a palavra “terço” pode levar a confusão com a terça parte do Rosário de Nossa Senhora).

Como se reza esta Coroa, que Jesus ensinou a Faustina? Podemos servir-nos dos terços tradicionais para melhor contarmos as orações.

Iniciamos com a invocação:

Ó Sangue e Água que brotastes do Coração de Jesus, como Fonte de Misericórdia para nós, eu confio em Vós! (Diário, 84)

Nas contas grandes, rezamos:

– Eterno Pai, eu vos ofereço o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do Vosso muito amado Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo,

– Em expiação dos nossos pecados e dos pecados de todo o mundo!

Nas contas pequenas, rezamos:

– Pela sua dolorosa Paixão,

– Tende misericórdia de nós e de todo o mundo!

Para terminar, nas três últimas contas rezamos:

-Deus santo, Deus forte, Deus imortal.

– Tende piedade de nós e de todo o mundo!

Esta Coroa reza-se em cinco minutos, tão simples ela é! E no entanto, como é poderosa! Jesus prometeu muitas graças através desta simples oração, especialmente para os moribundos e os grandes pecadores.

Jesus pediu ainda a Santa Faustina que se venerasse a hora da sua morte:

Todas as vezes que ouvires o bater do relógio, às três horas, mergulha-te na Minha Misericórdia, adorando-A e louvando-A. Implora a omnipotência dela para todo o mundo e, de modo particular, para os pobres pecadores, porque nesse momento, foi a Misericórdia aberta plenamente para toda a alma. (Diário 1572)

Vivamos então, em união de corações, esta grande festa que aí vem! Rezemos juntos a Coroa da Misericórdia e meditemos na Paixão de Jesus sempre que o relógio bater as três horas da tarde! Confessemo-nos, mesmo se já o fizemos antes da Páscoa, comunguemos e aproximemos as nossas crianças de Jesus! E peçamos juntos os grandes dons que o Senhor nos quer oferecer: a paz no mundo, o fim do terrorismo, a purificação da Igreja, a multiplicação das Famílias de Caná!

Deixo-vos com as palavras de Jesus:

Alegro-Me por rogarem tanto, porque o Meu desejo é dar muito, mesmo muito. Fico entretanto triste, quando as almas pedem tão pouco, e quando assim se constrangem em seus corações. (Diário 1578)

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