Em Caná da Galileia...


As Seis Bilhas e o Divino Oleiro

Na manhã de sábado, o Niall e eu acordámos muito entusiasmados: estava na hora de ir comprar as seis bilhas de barro para o Canto de Caná. Graças à generosidade de uma querida leitora deste site, mãe de uma Família de Caná, tínhamos dinheiro para escolher à vontade as bilhas mais belas e mais perfeitas. Será que as iríamos encontrar?

À beira da estrada nacional há uma loja de artigos artesanais em barro. Foi aí que nos dirigimos. Parámos o carro e percorremos o amplo espaço exterior, coberto de bilhas de toda a espécie e feitio. Mas nem todas eram belas, e certamente nenhuma era perfeita.

“Tem aqui três bilhas iguais, de tamanho médio. Será que não tem outras três?” Perguntou o Niall ao dono da loja. A sua resposta foi certamente inspirada pelo Espírito Santo:

“Não, não tenho. Nem sequer essas são iguais, se reparar bem… Sabe, nas fábricas, as bilhas saem todas iguais. Mas isto aqui é trabalho artesanal. Os oleiros fazem todas as bilhas diferentes, e depois de fazerem algumas parecidas, dá-lhes na vontade e fazem outras totalmente diferentes, e por isso é que nós nunca sabemos que bilhas vamos receber, e se é que vamos voltar a receber bilhas desta ou daquela forma. Peço desculpa…”

Sorri e pisquei interiormente o olho a Deus. Eu já tinha decidido comprar as bilhas todas diferentes, em tamanho e em feitio, pois antes de serem símbolo dos propósitos das Famílias de Caná, as bilhas são símbolo da nossa humanidade, que se abre à misericórdia de Deus, para que ela opere milagres na nossa vida. Eu queria que elas representassem a diversidade dos membros da família, das crianças aos adultos, dos pequenos aos grandes. Mas tinha algum receio da reação das pessoas ao ver o efeito. Agora sentia-me como o profeta Jeremias, que recebeu de Deus esta ordem:

Vai e desce à casa do oleiro, e ali escutarás a minha Palavra. (Jr 18, 2)

No Livro do Génesis, o poeta bíblico diz-nos que

o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o homem transformou-se num ser vivo. (Gn 2, 8)

Mais tarde, S. Paulo vai dizer-nos que

trazemos este tesouro em vasos de barro, para que se veja que este extraordinário poder é de Deus e não nosso. (2Cor 4, 7)

E mais tarde ainda, o Papa Francisco vai repetir, em várias homilias, que Deus nos ama com amor artesanal. Somos todos bilhas diferentes, somos todos bilhas imperfeitas. Nenhum de nós é cópia, somos todos originais, por vontade do Divino Oleiro. Somos todos, todos filhos únicos.

Assim que comprámos as bilhas, transportámo-las de imediato para o seu lugar, no Canto de Caná. Como esperávamos, quem as viu ficou um bocadinho surpreendido. Mas só um bocadinho. Que tal?

As bilhas que nós somos têm diferentes tamanhos. Há bilhas grandes, e bilhas mais pequenas. Algumas são parecidas, porque quando marido e mulher caminham para Deus unidos em matrimónio, vão ganhando traços espirituais um do outro; ou os irmãos que vivem na mesma casa e que rezam juntos todos os dias. Há uma bilha pequenina, como pequeninas são a maior parte das Crianças de Caná, neste momento do nosso Movimento. Mas essa bilha pequenina é mais uma cantarinha, porque todos nós, pequenos ou grandes, somos chamados a verter nos copos dos irmãos a água transformada em vinho. “Pessoas-cântaro”, diz o Papa Francisco…

Há bilhas muito diferentes no nosso Movimento. A Talha Perfeita é apenas a Mãe, como diz o Papa e nós meditámos no ensinamento deste mês de maio. O importante é que cada um de nós se disponha a deixar-se moldar pelo Divino Oleiro, para depois se deixar encher, cada um de acordo com a sua capacidade, pelo Tesouro que é Jesus.

No dia 3 contamos com todos vós! Não nos desiludam: venham à festa! Lembram-se da história que Jesus contou, e da tristeza do Rei que viu os convidados recusar o convite?

“Dizei aos convidados: ‘Tudo está preparado. Os bois e cevados estão mortos, tudo está pronto. Vinde às Bodas!’ (Mt 22, 4)

Vinde vós às Bodas também! O programa do dia encontra-se em Eventos, bem como neste post. Não faltem!

6 Comments

  1. Lindas!!!

    Beijinhos

  2. São perfeitas na imagem e na mensagem! Todas têm em comum a matéria com que são feitas, todas foram trabalhadas individualmente, todas servem para “encher”!
    Que maravilha!

    • A Olívia escreveu exactamente aquilo que eu pensei. Mas não queria ficar sem deixar aqui o meu “thumbs up” para a pergunta da Teresa: Que tal?
      Que elas nos inspirem para que sejamos pessoas-cântaro.

  3. Olá teresa.

    Sempre a surpreender-nos.
    O texto para as bilhas diferentes, é mesmo isso, diversidade de dons e graças…

    Obrigada.

  4. Helena Atalaia

    São lindas e como é surpreendente quando nos libertamos das nossas ideias pré-concebidas. Surge o lugar para as surpresas de Deus.
    Um grande beijinho e até sábado, se Deus quiser!!

  5. Sónia Alexandrina

    “certamente inspirada pelo Espírito Santo” – certamente!!

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