Em Caná da Galileia...


Família Martin – Retiro!

No próximo domingo dia 16, teremos aqui no Santuário Nossa Senhora Auxiliadora um retiro para famílias com o tema “Família Martin, um farol de santidade”. Em Eventos encontram tudo o que é preciso para se inscreverem e participarem. Divulguem! O retiro é, como sempre, gratuito e aberto a todos, adultos e crianças, Famílias de Caná ou não.

A Família Martin é uma família de santos. Ambos os pais – Zélia e Luís – foram canonizados. Uma das filhas – Leónia – é neste momento Venerável. Outras três morreram com fama de santidade. E a última, Teresinha, é Doutora da Igreja.

Antes da canonização do casal, houve quem propusesse a canonização da família como um todo (com exceção de Teresinha, que já tinha sido canonizada). Tenho realmente pena que não se tenha optado por esse caminho, mas entendo que os tempos ainda não estivessem maduros para tal decisão. A Família Martin viveu uma santidade profética, uma santidade que não era ainda para a sua época, como uma voz que clama no deserto.

Continuamos com dificuldade, nos nossos dias, em aceitar que uma família inteira possa ser sinal luminoso no mundo. Tenho a sensação de que a grande maioria dos católicos se sente incomodada com a ideia de que uma família possa ser testemunho, farol, candeia sobre o candelabro, como se a luz que emana dos outros pudesse ofuscar a nossa, ou talvez iluminar o que preferíamos manter às escuras… Preferimos falar na “normalidade” da vida familiar, na mediocridade a que todos estamos condenados, e que nos digam que sim, que já fazemos o suficiente e que não é preciso mais para se ser um bom cristão, ou que as famílias não precisam de aspirar a tanto. Não gostamos que nos desafiem a sair da nossa zona de conforto, sobretudo se esse conforto nos parece suficientemente católico. “Já sou catequista, tenho filhos acólitos, a minha esposa é visitadora de doentes, vou à missa ao domingo, não preciso de mais, obrigado”, escutamos com frequência depois dos nossos testemunhos Família de Caná, como se a nossa proposta se baseasse no “fazer”. Ou então: “Tenho o meu próprio caminho, e nenhum caminho é comparável, nenhum melhor que o outro, por isso prefiro continuar sem me comprometer com mais nada senão comigo mesmo.”

Com todas as suas fragilidades e com todas as suas ânsias de santidade familiar, talvez as Famílias de Caná não pertençam plenamente a este tempo. Parece-me que são ainda uma voz que clama no deserto, um tosco farol a iluminar o futuro. São, no sentir de muitos, “demasiado”. Quem sabe não são uma profecia para um tempo que ainda não chegou? Uma semente a brotar mais tarde…

É por isso que me sinto sempre tão reconfortada a meditar e a aprender com a vida da família Martin. Apesar da sua reconfortante normalidade, eles foram, para os cristãos da sua época, “demasiado”. Como tal, não foram entendidos. Os pais não tiveram no seu funeral mais que uma dúzia de pessoas. E Santa Teresinha não passou das trinta…

Quando a Igreja nos propõe um santo para imitação, não nos quer impedir de seguir um caminho que é, naturalmente, original, pois todos somos diferentes. Mas se tivermos a humildade de aceitar os testemunhos de outros, veremos rapidamente como o nosso próprio caminho pessoal ou familiar se torna, de repente, iluminado. O meu tem sido iluminado pelas vidas dos santos, que leio desde os meus dez anos; e pela vida desta família santa desde que casei. E nunca tal luz me ofuscou, ou me impediu de escrever uma história original.

Tenho uma vontade imensa em partilhar convosco o que, ao longo dos anos, fui aprendendo com esta família. E tenho um saudável orgulho em vos dizer que muitas, muitas das nossas ideias sobre educação e oração familiares nasceram aqui, embora sejam uma fraca amostra comparada com o que esta família de santos viveu.

Inscrevam-se!

 

4 Comments

  1. Estamos muito, muito felizes pelo retiro, Teresa 🙂 Estou ansiosa para te ouvir! Obrigada a todos os Power por serem também um farol na nossa caminhada familiar.

  2. Helena Atalaia

    Obrigada, Teresa! Que tema maravilhoso. Inscrição já seguiu.
    Um beijinho.

  3. Não desanimem! Lembrem-se que Jesus também não conseguiu conquistar aqueles que já se sentiam confortáveis e orgulhosos do seu “nível de religiosidade”. Aliás foram os maiores pecadores que tiveram mais facilidade em se aproximar d’Ele!
    E quanto a canonizar uma família inteira, poderá estar para breve. Leiam o último parágrafo deste artigo: https://aleteia.org/2017/06/12/on-the-road-to-sainthood-family-of-nine-murdered-for-hiding-jews-in-poland/

  4. Ansiamos há muito por este retiro! Lá estaremos,se Deus quiser.Obrigada família Power!

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