Em Caná da Galileia...


Taizé!

Escrito pela Clara Power:

Há muitos anos que sonhava com uma ida a Taizé. Este ano decidi que não ia esperar que outras pessoas organizassem a viagem, por isso juntei duas amigas e o meu irmão Francisco e marcámos uma ida para a última semana de agosto. Nunca pensei que fosse tão fácil fazê-lo. Tudo o que é necessário está no site https://www.taize.fr/pt. Incluindo transportes a partir de Portugal, preços, estadia. Tudo!

Escusado é dizer que estava nervosa antes de ir. Eu era a responsável do grupo e tudo tinha de correr bem! Não foi preciso muito para eu perceber que stress é algo que não existe em Taizé.

Foram 24 horas de viagem. Os nossos rabos já estavam “quadrados”, mas o nosso espírito estava cada vez estava mais entusiasmado!

Foi fantástico sair do autocarro e ouvir línguas diferentes, ver rostos morenos, rostos claros, olhos grandes, olhos esticados… E todos estavam lá pela mesma razão! Para além de quererem conhecer novas pessoas e culturas … todos queriam aproximar-se e conhecer Deus de uma forma mais íntima.

Chegámos à aldeia de Taizé às 10:00h da manhã, por isso a primeira experiência que tivemos foi a oração do meio dia. Começámos a ouvir os sinos tocar e a ver uma onda de gente dirigir-se para a igreja. Entrámos também e a maravilha daquele lugar inundou-me. Soube ali mesmo que esta seria uma das melhores semanas da minha vida! Os cânticos, as velinhas, o silêncio e a união. Tudo era perfeito.

No primeiro dia foram formados pequenos grupos de reflexão (small sharing groups) e todos os dias nos juntávamos a uma hora combinada e conversávamos sobre uma passagem da bíblia que era lida e meditada na oração da manhã. Neste grupo tornámo-nos todos muito próximos. Conversámos sobre tópicos polémicos, rimos, chorámos, partilhámos experiências de vida e partilhámos a nossa fé. Nem todos eram católicos, porque a comunidade de Taizé é ecuménica, o que significa que estavam comigo protestantes, anglicanos, ortodoxos e também católicos. O mais bonito foi ver como todos amávamos a Deus e sabíamos que só Ele é Amor!

O jardim do silêncio tornou-se um dos meus lugares preferidos e a ausência de som a minha música preferida, juntamente com os sinos que chamam para a oração. Nesse jardim existe um lago e à sua volta pequenas estações com a vida de Jesus. Chamam-lhe “O caminho do evangelho”.

A palavra que melhor descreve Taizé é “indescritível”. Não há forma de entender o que se vive lá se não vivendo! A única coisa que sei dizer é que me apetece chorar, rir, falar, estar em silêncio! E tudo ao mesmo tempo! Nunca pensei que fosse possível eu ter vontade de ir preparar o pequeno almoço às 7:00 horas de manhã (tarefa que me coube durante toda a semana, num grupo de voluntariado), mas a verdade é que quando o despertador tocava eu pensava: “Que bom! Cá vou eu ver Taizé a acordar e preparar comida para 2135 pessoas!” acho que isto diz muito do espírito que lá se vive, porque o meu estado normal quando acordo é um mau humor extremo! Todos os dias acordava para receber uma multidão de sorrisos, gargalhadas, partilhas extraordinárias e testemunhos.

Fiz amizades fantásticas e percebi que só em Deus podemos ser santos. Porque a verdade é que após cada oração sentia uma paz inexplicável. Agora tenho tentado manter um pouco o ritmo das três orações por dia e dos momentos de silêncio. A verdade é que se torna mais fácil darmo-nos aos outros se formos bebendo constantemente da Fonte de Água Viva. A minha playlist preferida no spotify passou a ser a das músicas Taizé.

Para ainda me levar mais perto do paraíso, Deus ainda teve a gentileza de me oferecer noites esplêndidas. Com a pouca luz elétrica que havia em Taizé viam-se as estrelas todas e o desenho da via láctea. Como era bom rezar o Terço à luz das estrelas! Foi simplesmente maravilhoso!

Custou tanto vir embora, que já estou a economizar para regressar a Taizé 🙂

Obrigada meu Deus porque me criaste!

12 Comments

  1. Pilar Pereira

    Obrigada pelo teu relato, Clara!
    Nunca fui a Taizé, mas sempre tive a intuição de que seria uma experiência muito boa, de modo que, quando houve um encontro em Portugal, em dezembro de 2004, decidi logo “participar” acolhendo participantes. Recebi três jovens polacas e gostei muito da experiência. 🙂

  2. Helena Atalaia

    Querida Clarinha, obrigada pela partilha dessa vivência. Deus surpreende sempre e dá tão mais do que o imaginamos! Nós pedimos à nossa medida e Deus dá à Sua! Costumo acordar cedo e é a altura do dia que mais gosto para observar a natureza no alpendre, sentir o cheiro da terra e ouvir os diferentes sons do bosque que existe nas traseiras. E nesse silêncio da casa e na contemplação da criação, a oração e o encontro, guiam o resto do meu dia. É o meu pequeno “Taizé” diário 😊 A oração é a chama que torna o dia mais belo, cheio de alegria e gratidão. E essa disposição tende a ver a presença e as gentilezas com que Deus está sempre a presentear as nossas vidas. Num dia de sol ou num de chuva, nas alegrias ou nas dificuldades.
    Um grande beijinho.
    P.S. Bom regresso à rotina com tão bons propósitos.

  3. Catarina Silva

    Já me fez chorar a Clarinha!
    Muito Obrigada pela partilha!

  4. Que bom saber um pouquinho da tua experiência em Taizé Clarinha! mal posso esperar para saber mais!! É incrível como experiências como estas nos fazem pensar, refletir, e ver as coisas de uma maneira completamente diferente… Até ao ponto de acordares com bom humor logo pela manhã! 😉

  5. A Graça de Deus é sempre Dom de Vida… a Beatriz veio feliz e sensibilizada de um outro modo, após a peregrinação a Taizé… Agora que vai fazer dezoito anos irá contigo, imagino eu… Também ela quer voltar a rezar do mesmo modo, e eu lembro Jesus, que saía da sua terra para rezar. Ir de encontro a Deus é sair do nosso conforto e abrir o coração!

  6. Susana Machado

    Obrigada pela partilha Clarinha,

    Absorvi todas as tuas palavras, enquanto aguardo a chegada a casa ao fim do dia para ouvir o relato da minha filha que chegou ontem de Taizé, mas como já era muito tarde e hoje já tinha aulas na Faculdade, por isso também saiu muito cedo, não tivemos oportunidade de partilhar. Não tenho duvidas que sentiu o mesmo que tu.
    Beijinhos

    Susana

  7. Olá Clara (sou amiga dos papás)! Estive em Taizé duas vezes e já como adulta e é, de facto, indescritível o que se sente e vive. Este ano não fui mas irei no ano que vem e provavelmente para o silêncio. E sim, no spotify a minha play list favorita Taizé (no youtube tb há mixes de taizé). Tenho pena de quando era mais jovem (tenho 45 anos) não ter tido oportunidade de ir, nem me terem desafiado a ir. Por isso, fala dessa experiência a todos quantos puderes porque assim dás-lhes oportunidade de ter uma experiência unica. beij ana

  8. há muitos anos que rumamos de 2 em 2 anos a Taizé, fazemos experiencia em família na Olinda, é fantástico.
    As nossas filhas mais velhas foram estes ano, pela primeira vez sozinhas e vieram nas nuvens.
    Se Deus quiser para o ano iremos todos, nós casal ficaremos com a mais nova na Olinda e as mais velhas em Taize.

  9. Célia Canadas

    Que testemunho maravilhoso🙏🙏🙏

    É uma benção ver uma menina, tão jovem, partilhar, com tanto entusiasmo, esta experiência. Uma inspiração para todos nós.

    Vou partilhar!

    Muito obrigada🙏

  10. Muito obrigada Clara pela tua partilha!! Tão rica em fotos e na descrição!
    Fez-me sentir tantas saudades de Taizé… 🙂
    Quando andava na faculdade fui lá vários anos e espero que quem ainda não foi se sinta desafiado e inspirado a ir!!
    É uma experiência muito pessoal e íntima e só quem poderá reconhecer melhor o seu valor e a sua importância!… Qualquer palavra que se escolha para descrever parece sempre pouco e muito limitado porque Taizé é sempre muito mais!… Conseguir estar plenamente com Deus é sempre muito mais!… O desafio é voltar a conseguir ter/cultivar/preservar esses momentos no nosso dia a dia!… Que alegria tão grande!
    Obrigada!
    Beijinhos!

  11. Muito obrigada a todos! Fico muito feliz se este post inspirar mais jovens a rumar a Taizé 🙂

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