As palavras mágicas e o jardim do Paraíso

“Podes, por favor, controlar as crianças? Estou numa vídeo conferência internacional, sou eu neste momento o palestrante, não posso desligar o microfone e já nem consigo concentrar-me no que estou a dizer. Obrigado!” O e-mail chegava-me do outro lado da casa. Era do Niall que, fechado no nosso quarto como sempre desde o início do confinamento, procurava trabalhar. Eu também estava diante do computador – a tempo de ler a mensagem de desespero e de sorrir com o “por favor” e o “obrigado”, pois o Niall nunca se esquece das boas maneiras – mas tinha os auscultadores nos ouvidos. Já(…)

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O ouriço-cacheiro, os comboios e Nós

Noite estrelada, luminosa, fresca e bela, na quinta do santuário. O Canto de Caná no centro, as tendas a toda a volta. Já tudo está em silêncio, depois de muitas correrias com lanternas, muitos jogos às escondidas, muitos risos e muita conversa – porque não há nada melhor num acampamento que as brincadeiras à noite quando se tem oito, dez, doze anos… Mas agora, já todos dormem. Todos, não: o Daniel recusa-se fechar os olhos. Parece querer ver as estrelas lá no céu, e a noite à sua volta é grande demais para o conter, tão ao contrário desta tenda(…)

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Os tempos do tempo

Testemunho da Olívia Batista Numa destas semanas lia um artigo em que uma senhora com cerca de 80 anos dizia que o grande problema das sociedades modernas é a falta de rotina. Argumentava ela que, num dia com vinte e quatro horas, devíamos dormir oito, trabalhar outras oito e ter como horário de lazer as restantes oito, e assim existia equilíbrio na vida das pessoas. Ao ler aquilo fiz a mim mesma a seguinte pergunta: “onde estão então as minhas oito horas de lazer?” Todos sabemos que a vida hoje é bem mais agitada do que algum dia foi, temos(…)

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O luar, o texugo e a oração familiar

Já repararam como tem estado bonita a lua cheia, esta semana? Ilumina de tal forma, que caminhamos na noite quase como se caminha de dia. Pelo menos aqui, nos campos ao redor da nossa casa. Todas as noites, depois de deitarmos o António e a Sara pelas nove horas, deixamos o David e a Lúcia a ler na sala mais vinte minutos, o Francisco e a Clarinha a estudar, a ler ou a fazer qualquer outra coisa, e saímos os dois, o Niall e eu, para um curto passeio com os cães. Faz-lhes bem a eles, mas sobretudo faz-nos bem(…)

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O eclipse lunar e o Cântico dos Cânticos

Na sexta-feira dia 27, iniciou-se o Segundo Acampamento de Caná. O Niall e eu estávamos felicíssimos: nesse dia, fazíamos vinte e dois anos de casados, e nem nos nossos mais ousados sonhos podíamos imaginar melhor maneira de os comemorar. Deus é muito nosso amigo! Pois que há de melhor, ao fim de vinte e dois anos de casamento, do que ter à nossa volta uma família feliz, ainda a crescer, e um Movimento a nascer e a fazer caminho? Depois rimo-nos juntos: se há vinte e dois anos atrás, no hotel onde passámos a lua de mel, alguém nos dissesse(…)

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